Marvel fatura US$ 30 bi e ressuscita Capitão América

Marvel fatura US$ 30 bi e ressuscita Capitão América
Foto: exame.com

A Disney colocou US$ 30 bilhões no bolso com o Universo Marvel na última década. Agora, o estúdio joga sua carta mais valiosa na mesa: Steve Rogers está de volta.

O trailer de 'Vingadores: Doutor Destino' mostrou Chris Evans usando o uniforme do Capitão América novamente. A cena durou segundos. Foi o suficiente para Wall Street prestar atenção.

As ações da Disney subiram 2,3% nas horas seguintes ao lançamento do trailer. Coincidência? Pergunte aos acionistas.

O negócio por trás do escudo

Chris Evans tinha se aposentado do papel em 2019. Seu contrato valia US$ 15 milhões por filme — sem contar os royalties de merchandising que enchem cofres em Orlando e Xangai.

Trazer Rogers de volta não é decisão criativa. É matemática pura.

A Marvel Studios faturou US$ 2,8 bilhões só em 2023. Os filmes com Capitão América sempre renderam acima da média: US$ 714 milhões de bilheteria em média por longa.

Três teorias — todas lucrativas

Hollywood vaza informação com estratégia. As teorias que circulam sobre Steve Rogers não são acidente:

  • Multiverso: Permite trazer qualquer ator de volta, de qualquer timeline. Tradução: elenco infinito, contratos renegociáveis.
  • Viagem no tempo: Rogers teria voltado do passado onde envelhecia com Peggy Carter. Conveniente para a narrativa, melhor ainda para o merchandising.
  • Missão secreta: O super-soldado estaria infiltrado contra o Doutor Destino. Vilão interpretado por Robert Downey Jr., que custou US$ 50 milhões aos cofres Marvel.

Quem manda de verdade

Kevin Feige comanda a Marvel Studios com mão de ferro desde 2007. Seu patrimônio pessoal ultrapassa US$ 200 milhões. Cada decisão criativa passa pelo crivo financeiro de Bob Iger, CEO da Disney, salário anual de US$ 27 milhões.

Eles não ressuscitam heróis por amor à arte. Ressuscitam porque o mercado chinês — que representa 40% da bilheteria global de blockbusters — ainda adora o Capitão América.

"Steve Rogers é propriedade intelectual avaliada em US$ 5 bilhões. Você deixaria US$ 5 bilhões aposentados?", comentou analista de entretenimento da Goldman Sachs em relatório recente.

O público paga a conta

Ingressos de cinema nos EUA custam hoje US$ 16 em média. No Brasil, R$ 40 virou padrão em shoppings das capitais.

A Disney+ cobra R$ 43,90 mensais no plano premium. Quem quiser acompanhar a saga completa do Universo Marvel precisa estar inscrito — são 34 filmes e 15 séries no catálogo atual.

Faça as contas: uma família de quatro pessoas gasta R$ 160 só nos ingressos. Some pipoca, refrigerante e estacionamento. Chegamos fácil em R$ 300 por sessão.

Steve Rogers volta porque você paga para vê-lo voltar.

O trailer que vale ouro

O vídeo divulgado pela Marvel teve 87 milhões de visualizações em 24 horas. Cada visualização equivale a impressão de marca, exposição publicitária, construção de hype.

Agências de marketing digital calculam o valor dessa exposição orgânica em US$ 12 milhões. De graça.

Chris Evans não precisou sequer gravar cenas novas ainda. Podem ter usado computação gráfica, arquivos antigos, testes de figurino.

O importante é que o Capitão América está de volta. E alguém, em algum escritório com vista para Burbank, já calculou exatamente quanto isso vale.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.