Michelle Bolsonaro disputa Senado: poder e dinheiro Brasília

Michelle Bolsonaro disputa Senado: poder e dinheiro Brasília
Foto: exame.com

Enquanto estava em leito hospitalar, Michelle Bolsonaro teve seu nome lançado como candidata ao Senado pelo Distrito Federal. A ex-primeira-dama não apareceu no evento que confirmou a chapa do PL — mas seu nome estava lá, estampado como aposta do partido para uma das cadeiras mais poderosas do Congresso.

O jogo é simples: três mulheres disputam três vagas ao Senado pelo DF. Michelle, a governadora Celina Leão (candidata à reeleição) e mais uma aliada formam o trio do PL que quer dominar a representação do centro do poder nacional.

O que está em jogo

Uma vaga no Senado pelo Distrito Federal não é qualquer coisa. É patrimônio político de primeira linha. Salário de R$ 44 mil mensais, cota parlamentar de R$ 74 mil, gabinete com 40 funcionários e influência direta sobre os três poderes da República.

Michelle chega com bagagem pesada: oito anos como primeira-dama, base evangélica consolidada e sobrenome que ainda move multidões — e fortunas. Seu marido, Jair Bolsonaro, permanece inelegível até 2030, mas a família não pretende sair do circuito.

Ausência calculada

A internação que impediu Michelle de comparecer ao lançamento oficial gerou especulações. Mas o recado foi dado: o PL aposta todas as fichas nela. Celina Leão, que comanda o Palácio do Buriti, fez o anúncio sozinha.

A estratégia é clara. Enquanto Bolsonaro permanece afastado das urnas, Michelle vira o rosto visível do bolsonarismo na capital federal. E Brasília, convenhamos, não é qualquer cidade — é onde o orçamento de R$ 5,4 trilhões da União é decidido.

Chapa feminina, cálculo masculino

O PL vende a narrativa de empoderamento feminino. Três mulheres na chapa principal. Mas os bastidores contam outra história: Valdemar Costa Neto, presidente do partido, e o próprio Bolsonaro desenharam cada movimento.

Michelle nunca ocupou cargo eletivo. Sua experiência política resume-se aos anos no Palácio da Alvorada. Mas isso, paradoxalmente, pode ser seu trunfo: ela surfou nas polêmicas sem se queimar diretamente.

Quanto vale um Senador

Os números impressionam. Um mandato de oito anos no Senado representa aproximadamente R$ 4,2 milhões em salários brutos, sem contar benefícios, verbas e o poder real de influenciar contratos bilionários.

No DF, onde a máquina pública é praticamente toda a economia local, um senador decide quem ganha e quem perde. Emendas parlamentares, indicações para estatais, pressão sobre o Executivo — tudo passa pelo Congresso.

O eleitor decide

Michelle terá pela frente adversários experientes. O PT, PDT e outros partidos da esquerda prometem briga dura. A direita também está rachada — nem todo eleitor conservador embarca no bolsonarismo raiz.

Resta saber se o eleitor brasiliense comprará a aposta do PL. Se Michelle conseguirá converter popularidade em voto. E, principalmente, se a ausência no próprio lançamento de campanha será vista como fragilidade ou estratégia.

O que não está em dúvida é o tamanho da ambição. A família Bolsonaro quer manter o nome no topo. E Brasília, cidade construída para sediar o poder, pode dar a Michelle o que seu marido perdeu: um mandato e um salário de quase cinquenta mil reais por mês.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.