Trump elogia Copa milionária enquanto offshore de políticos cresce
Enquanto Donald Trump celebrava o "sucesso fantástico" da Copa do Mundo em discurso recente, elogiando Gianni Infantino e os números bilionários do torneio, uma realidade paralela segue seu curso: a teia de offshores que conecta políticos, empresários e organizações esportivas globais movimenta fortunas longe dos olhos do fisco.
O republicano afirmou que o Mundial atingiu "um nível que ninguém achava possível". Traduzindo: dinheiro. Muito dinheiro. A FIFA projeta receitas superiores a US$ 11 bilhões apenas nesta edição. Para efeito de comparação, o PIB de países como Mônaco ou Maldivas não chega a US$ 8 bilhões anuais.
O Elogio ao Homem das Sombras
Gianni Infantino, presidente da FIFA desde 2016, foi classificado por Trump como "fantástico". O suíço comanda uma organização que, após escândalos de corrupção que derrubaram seu antecessor Joseph Blatter, prometeu transparência. Promessa que esbarra em uma arquitetura financeira complexa, com contratos fechados em jurisdições conhecidas por sigilo corporativo.
A FIFA mantém subsidiárias e acordos comerciais em territórios como Suíça, Luxemburgo e Ilhas Cayman. Estruturas legais, mas opacas. O mesmo modelo adorado por quem precisa movimentar fortunas discretamente.
Offshore: O Esporte Favorito da Elite
No Brasil, investigações recentes revelaram que ao menos 47 políticos federais mantêm ou mantiveram empresas offshore. O número é subestimado. Essas estruturas não são ilegais per si, mas servem frequentemente para esconder patrimônio, lavar dinheiro ou escapar de impostos.
Entre os destinos prediletos estão:
- Ilhas Virgens Britânicas
- Panamá
- Bahamas
- Delaware (EUA)
- Dubai
Curiosamente, Delaware é território americano. Trump conhece bem o endereço — usou empresas lá por décadas antes de chegar à Casa Branca.
Futebol, Poder e Dinheiro Invisível
A relação entre esporte de massas e estruturas offshore não é coincidência. Contratos de transmissão, patrocínios milionários, direitos de imagem de atletas — tudo flui por canais onde a tributação é mínima e a fiscalização, quase nula.
"O futebol move mais dinheiro que muitas economias nacionais. E onde há bilhões sem supervisão adequada, há sempre interesse político"
Segundo dados do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), responsável pelos Panama Papers e Pandora Papers, centenas de políticos ao redor do mundo usam offshores para blindar fortunas. No Brasil, nomes de todos os espectros ideológicos aparecem nos vazamentos.
Trump, Infantino e o Circuito do Poder
O elogio público de Trump a Infantino não é gratuito. Ambos circulam nos mesmos ambientes: Davos, jantares de gala, reuniões onde se decide quem hospeda mega-eventos e quem lucra com eles.
A escolha de sedes para Copas do Mundo envolve negociações bilionárias. Infraestrutura, hotelaria, publicidade, direitos de transmissão — cada decisão move montanhas de capital. Capital que precisa de rotas eficientes para circular.
Rotas que passam, inevitavelmente, por paraísos fiscais.
O Jogo Real
Enquanto torcedores gastam salários em ingressos, camisas e cervejas superfaturadas, enquanto cidades-sede endividam-se para construir estádios que virarão elefantes brancos, o dinheiro de verdade flui silenciosamente.
Trump comemora o sucesso. Infantino sorri nas tribunas VIP. Políticos brasileiros mantêm suas estruturas offshore intocadas, escondidas atrás de camadas de empresas fantasmas e laranjas profissionais.
O placar final? Bilhões para poucos, espetáculo para muitos, transparência para ninguém.